Dar es Salaam, Tanzania

Passamos o dia inteiro na estrada. Este poderia ser o resumo deste dia e o post terminava por aqui. Mas mesmo um dia inteiro na estrada com cerca de 14 horas merece algumas referências.

Primeiro, era o dia de entrada na Tanzania, um dos pontos altos desta viagem. Mais uma fronteira, mais um carimbo no passaporte. Quando o camião arrancou após o controlo fronteiriço, estava entusiasmado. Tinha acabado de entrar no pais do Kilimanjaro, de Zanzibar e do Serengeti e ia ver o Oceano Índico pela primeira vez, completando a viagem da costa atlantica até à costa índica. Só podia estar entusiasmado. Tentei manter os olhos abertos para observar tudo, identificando diferenças entre a Tanzania e o Malawi.

A primeira diferença foi a cor. O clima era um pouco mais húmido, logo havia mais vegetação. Mas não só. A zona onde estávamos a passar era muito fértil, pelo que havia muita agricultura. Muito chá e muitas bananas. Campos infindáveis com a planta da borracha.

Dar es Salaam é o coração da Tanzânia, diz o Victor. É uma porta fundamental no país, o principal porto. Tudo converge para esta cidade e notamos isso à medida que nos aproximamos da cidade. Muitos carros, camiões, muitas pessoas. Confusão. Quanto mais perto chegávamos, mais devagar íamos, até que paramos mesmo. Centenas e centenas de camiões parados nos dois sentidos. Arrancamos, percorrendo 2 metros, só para parar novamente. E foi assim durante uma boa hora.

Finalmente começamos a andar normalmente, só para voltar a parar, desta vez já dentro da cidade. A confusão é impressionante! Estava de pé na janela da frente. Um tipo na rua mete-se comigo, perguntando de onde éramos. Cometi o erro de sorrir e responder, recebendo em troca palavras que me pareceram insultos. Voltei para o meu lugar, abri o meu livro e fiquei quieto. Não consegui deixar de imaginar que se algum tipo de problema acontecesse, não teríamos grandes chances de reagir, já que estávamos completamente bloqueados na estrada. Foi aqui que ouvi a Brooke a comentar que, talvez os portugueses não sejam bem vistos em todos os países africanos. Até pode ter alguma razão, mas não gostei do comentário, especialmente porque não foi dirigido directamente a mim e sim em conversa com a Kristen, o que no meu livro, é um bocadinho falta de respeito. Se fosse ao contrário, qualquer uma delas faria um drama do outro mundo. Eu não disse nada. Porquê? Quando uma pessoa deixa de se dar ao trabalho de falar com os outros sobre os problemas, é sinal de que já não se importa com eles. Foi o caso.

Avançámos um pouco e percebemos que havia uma escolta policial que bloqueava o normal trânsito dos veículos. Mais à frente, um accidente. Num sítio já de si complicado, estas situações ainda pioram mais o problema. Por esta altura, estava de pé a conversar com o Victor numa das janelas de trás. Passávamos por uma espécie de mercado de rua, onde se vendia de tudo, desde fruta a roupa. Era final de tarde, estava já de noite e notava-se que as pessoas que saíam do trabalham faziam compras a caminho de casa. Neste ponto estava mesmo a gostar do que via e ia fazendo perguntas ao Victor. Farmácias, cabeleireiros, supermercados, lojas, restaurantes, tudo de dimensão muito pequena, com as tais barracas à frente a parecer um mercado ao longo da estrada.

Finalmente o camião começou a andar e o John fez os posíveis para sair dali. Quando chegámos ao parque de campismo, fui falar com ele e cumprimentá-lo pelo trabalho (como fiz diversas vezes), quando me disse que nunca tinha chegado tão tarde ao parque de campismo.

Mesmo sendo noite, eu e o Rb ainda tomamos uma cervejinha antes do jantar e fomos ver o Índico. O parque de campismo ficava mesmo à beira praia, pelo que ao passar o portão do lado do bar, já estávamos na areia. Estava feito o costa a costa!

Depois da descontracção, tive que tratar da logística: montar tenda, colocar a roupa a lavar e tomar um duche. Foi necessário preparar a mochila para a ida a Zanzibar no dia seguinte. Na prática, tirei o que não ia precisar, levando o resto. Para finalizar o dia, nada como aceder à net.

 

 

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