Jaipur, India

Um autocarro local levou-nos de Pushkar para Jaipur a capital do Rajastão, numa viagem que durou cerca de cinco horas. O grupo começa ficar habituado a estas viagens, que não são tão más quanto parecem e permitem-nos o contacto mais com os locais. Somos sempre muito observados e há sempre alguém que mete conversa connosco. Os meus companheiros de pele muito branca não passam despercebidos.

Desta vez o percurso incluiu uma autoestrada, com direito a portagem e tudo. Mas não se pense que é uma autoestrada como as nossas. O caos é constante, os autocarros param para entrar e sair passageiros em plena faixa de rodagem e vi vários carros a vir em sentido contrário… Já perdemos o medo, mas não ficamos indiferentes…

O nosso condutor executa uma daquelas manobras perigosíssimas numa ultrapassagem que quase encosta o carro à nossa esquerda. Guinadas é com eles. Um carro da polícia mandou-nos parar para verificar os documentos e contar os passageiros. Se fosse na Europa, ia tudo preso. Aqui, deixaram passar…

A temperatura infernal continuava à chegada a Jaipur e repetimos o ritual habitual de não sair do hotel até a temperatura baixar um pouco.

Para a tarde, depois de uma curta viagem de tuk-tuk, demos uma volta pela parte velha da cidade conhecida por ser “cor de rosa”. As aspas são propositadas, porque a cidade na realidade não é verdadeiramente cor de rosa… A confusão nas ruas ao longo do mercado era impressionante e apesar de já termos visto algo semelhante, impressiona sempre. As vacas estão por todo o lado. Crianças acompanha-nos na caminhada a pedir comida ou dinheiro. Os locais olham para nós sempre com muita curiosidade. Quase todas as raparigas do meu grupo são louras de pele branca e são continuamente observadas, por homens e mulheres.

Do topo de um edifício observamos o caos num cruzamento. Ficava lá a tarde toda! Os pormenores a observar são imensos. As pessoas seguem as suas vidas: umas sentadas no chão, outras a vender, autocarros a parar para apanhar passageiros, tuk-tuks por todo o lado, as vacas, claro, as crianças, as especiarias. É um mundo completamente diferente do que estamos habituados.

Seguimos de rickshaw por outro mercado de ruas estreitas até a um sítio que o Chat conhece para tomar o famoso lassi: uma bebida indiana à base de iogurte. Experimentei um no hotel em Calcutá, mas tenho evitado tomar em qualquer sítio, apesar da vontade ser muita. O que tomamos era o básico, servido num copo de barro e era delicioso. Pode ser doce ou salgado, mas todos optaram pelo doce. Acabei por tomar o da Molly, que não ficou fã da bebida. Nos restaurantes encontramos variações frutadas da mesma bebida.

Após o jantar, o grupo regressou ao hotel e reunimo-nos na varanda do meu quarto para tomar uns copos. O plano era experimentar a noite de Jaipur. Algumas cervejas e uns vodkas depois, partimos de tuk-tuk para a discoteca. Depois de alguma confusão na entrada por causa do preço, o Chat encarregou-me de gerir o cartão do consumo e com os meus companheiros um pouco acelerados, a minha tarefa não foi fácil. Acabou por ser uma noite bem divertida onde alguns começaram a revelar-se… Alguns indianos não deram descanso às nossas raparigas, mas elas lidaram muito bem com a situação. Por ser o mais velho, estava sempre de olho, sem me intrometer. O grupo manteve-se sempre junto e regressamos ao hotel de tuk-tuk já pelas três da manhã.

Acordar às 7 e meia da manhã não foi muito agradável, mas era obrigatório porque tinhamos uma visita espectacular para fazer: o palácio Amber de Jaipur. Infelizmente, três dos meus companheiros não acordaram a tempo. O James só o conseguiu porque eu o acordei… Pelo caminho, uma paragem para ver o bonito palácio do vento e outra paragem com vista panorâmica para o palácio de Jaipur, onde fomos brindados pelos encantadores de serpentes.

O nosso guia, provavlelmente informado pelo Chat da nossa aventura nocturna, foi simpático connosco, de forma que não foi muito chato. No início, as cerca de três horas de sono estavam a afectar-me mas gradualmente fui-me sentindo melhor e gostei muito de visitar o palácio. À entrada, a rampa de acesso ao palácio estava congestionada pela constante subida e descida de elefantes que transportavam turistas para o palácio, que ficava no topo de um monte. Faz-me confusão ver os animais naquele estado, especialmente depois de os ver no seu estado selvagem em Africa. Felizmente o nosso grupo subiu a pé.

No final houve direito a uma curta palestra sobre a história da cidade e o nosso guia simpáticamente ofereceu-nos um chai.

Terminada a visita ao palácio de Jaipur, voltamos para a cidade, com duas paragens pelo caminho. A primeira foi para ver o bonito palácio da água, actualmente sem utilização. Um rapaz nos seus oito anos aproximou-se, devidamente autorizado pelo nosso guia e executa uns truques de magia com bolas e moedas que nos deixaram de boca aberta! Truques verdadeiramente bem feitos que lhe valeram dinheiro de todos.

Na paragem seguinte, visitamos uma fábrica onde estampavam tecidos. Com direito a amostra de diversos produtos, oferta de água e chá, viria naturalmente a tentativa de vender os produtos. Alguns aproveitaram para fazer compras.

A tarde foi aproveitada para recuperar algum sono, porque o final do dia estava reservado uma experiência verdadeiramente indiana: uma ida ao cinema para ver a última estreia de Bollywood.

Um cinema à antiga, pipocas e lugares bem no centro. O filme falado em Hindi sem legendas, retratava a resistência aos casamentos combinados. Quando entrou o primeiro actor conhecido, o público manifestou-se aos gritos. As cenas mais íntimas, onde os lábios mal se tocam ou mostram o umbigo da bela actriz, têm reacções semelhantes. As cenas cantadas e dançadas são hilariantes. Numa só música, os actores principais trocaram de roupa pela menos seis vezes! Deu para perceber a história e ninguém do grupo adormeceu, mas perdemos obviamente as piadas que fizeram o público reagir. No final, todos estavam satisfeitos com a experiência que seria difícil se estivessemos sós…

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