Rhomgbuk e EBC, Tibete

O nosso destino era uma localidade chamada Rhomgbuk, a uma elevação de 5000 metros. O nosso objectivo era o EBC: Everest Base Camp!

Partimos cedo, para um dia dividido entre o autocarro e um final de dia espectacular. Ao todo, nove horas de viagem, incluindo uma paragem para almoço e três horas numa estrada de terra que mostrou a perícia do nosso condutor, passando por pequenos cursos de água e algumas pontes básicas.

A primeira hora foi brutal, ao ponto de me sentar à frente disparando fotos da paisagem lunar, avistando cumes brancos à distância. Mas a estrada não possibilitava qualquer tipo de conforto, chegando mesmo a ser massacrante.

Finalmente chegamos a Rhomgbuk, mas não ficamos muito animados com os dormitórios que seriam a nossa base para, felizmente, apenas uma noite. Não havia duches, o que não era grave, mas preferia que não houvesse casas de banho, porque as que havia eram intoleráveis…

Ia partilhar quarto com o Dário, o Sean e o Carl, o mais velho do grupo. As camas estavam demasiado juntinhas e isso não funciona bem comigo, pelo que com a ajuda deles, tirei uma das camas do meio, que seria a minha, criando mais espaço para os três e fiquei numa das esquinas do pequeno quarto.

Depois de organizados, partimos de imediato para um dos pontos altos desta viagem: a caminhada para o EBC. Do lado tibetano, podemos ir de autocarro, mas a maioria preferiu caminhar e sentir um pouco das condições do início de uma escalada. Claro que não sentimos nada comparado com o que sentem os alpinistas, mas o vento forte e o frio a rondar os zero graus, associado à grande altitude, impressionaram-me, deixando-me a percepção de que as pessoas que o fazem, ou são extraordinárias, ou são extraordinariamente loucas!

Não era a melhor altura do ano para ver o Evereste, mas nós vimos a montanha mais alta do mundo ali mesmo à nossa frente, completamente destapada! Despida de tarde, incandescente ao por do sol e só ao amanhecer decidiu vestir umas nuvens. Como a compreendo, já que estava de facto muito frio às sete da manhã! Olhando para o pico branco, apercebi-me que não há nada no planeta terra mais alto do que o que estava a ver, a 8848 metros de altitude… Pensei que a bandeira portuguesa havia sido vista pela primeira vez naquele pico em 1999, quase custando a vida ao nosso João Garcia que perdeu um grande amigo nessa escalada, fazendo parte das mais de duas centenas de corajosos que nunca retornaram. Como se já não fosse hercúleo chegar ao topo, ainda é necessário descer…

Do topo do pequeno monte de onde a vista para o gigante era absolutamente soberba, a malta perdeu-se completamente nas fotos. Combinado com o Ashok e carregado pelo Tashi estavam umas cervejas à nossa espera e brindamos de sorriso nos lábios! O Ashok não podia estar mais feliz e abraçou-me. Ele sabia que aquela viagem dura de nove horas pode ser uma enorme decepcção se a malta não consegue avistar o Everest, mas nós tivémos sorte e ele irradiava alegria!

Regressamos aos dormitórios de autocarro, excepto a Jill que preferiu ir a pé. Juntamo-nos no restaurante do complexo para um jantar muito simples e nada de especial, mas com vista para o por do sol no Everest, que parecia estar incandscente… Alguns estavam em dificuldades pela altitude. O Sean sentiu-se completamente indisposto ao ponto de ir para a cama sem sequer jantar. Após um jantar medíocre, não me esperava um noite confortável, pelo que deitei-me vestido com a roupa do dia…

No dia seguinte fui o primeiro a acordar após uma noite que não foi tão má quanto esperava, já que consegui dormir algumas horas, mesmo acordando por diversas vezes. Estava na rua às sete da manhã a ver o nascer do sol no Evereste, que estando com frio, vestia algumas nuvens. Os meus companheiros apareciam um a um até que o frio venceu-nos e fomos para o restaurante tomar o pequeno almoço.

Antes de partirmos, eu, o Dário e o Sebastian tivémos de tomar uma decisão crítica! A casa de banho era tão má, tão má que estávamos a aguentar o máximo sem fazer as nossas necessidades. O meu plano era pedir ao condutor para parar pelo caminho, já que fazer no meio da natureza era bem melhor que fazer nas casas de banho tibetanas. Não sou de me queixar muito, adapto-me facilmente. Aguento a sujidade, o mau cheiro e posição de cócoras. Consigo olhar para baixo e ver o acumular da coisa durante semanas ou meses. Mas não tolero entrar numa casa de banho imunda e mal cheirosa e ver 4 tipos de cócoras a fazer as suas necessidades. Da privacidade não abdico e as casas de banho no Tibete não têm privacidade! O problema era fazer de volta a estrada em pedra durante três horas, que seria difícil de aguentar… pelo que decidimos fazer turnos: enquanto um fazia, os outros dois vigiavam permitindo fazer a coisa com privacidade. No final, os nossos sorrisos diziam tudo! Foi um tremendo alívio! Mas é oficial: o Tibete tem as piores casas de banho do mundo WWM…

Ao por do sol…
Ao nascer do sol…

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