Sakya, Tibete

Chegamos a Sakya ao final da tarde, depois de mais quatro horas no autocarro com uma passagem a 4530m, para chegar a esta cidade a 4280 metros de altitude, que foi o berço de uma das mais importantes escolas de budismo do país.

Chegamos uma pouco atrasados para as actividades planeadas, que incluiam outro mosteiro e um “nunnery”, um mosteiro só para mulheres.

O grupo dividiu-se porque o Ashok encarregou-me a mim e ao Dário de acompanhar o Tashi na compra dos legumes, pagos com os donativos que entretanto o grupo juntou. A ideia era oferecer os legumes às irmãs. A Cheryl, a Jill, o Nick e a Emanuele quiseram ajudar-nos, pelo que metade do grupo foi às compras.

Numa pequena mercearia, os nossos 475 yuan (cerca de 56€) iriam revelar-se difíceis de gastar… O Tashi nomeou-me lider da expedição, dando-me o dinheiro. Enquanto os meus companheiros escolhiam legumes, eu auxiliava a senhora da loja nas pesagens e nas contas. Foi uma confusão gastar tanto dinheiro só em legumes, pelo que juntamos massa, arroz, oleo de cozinha e fruta. Eu fazia as contas numa calculadora chinesa que emitia um som cada vez que pressionava uma tecla. No final, quando vimos a quantidade de coisas compradas, foi notório que tínhamos exagerado, o que nos criou um problema: levar as compras monte acima até ao mosteiro…

O Tashi sacrificou-se, levando às costas uma boa parte dos legumes num enorme saco. Os outros levaram vários sacos em cada mão. Àquela altitude, acima dos 4000 metros, já não é fácil subir, quanto mais carregando sacos. Pelo caminho, passamos por uma obras e um senhor arranca com um tractor no nosso sentido. Nem hesitei em esticar o dedo! O senhor parou o tractor e todos nós subimos para o atrelado. Acabou por ser um percurso divertido, não sem quase cairmos devido à irregularidade do piso.

Mesmo apanhando boleia, ainda havia escadas para subir. Quando pensávamos que estávamos a chegar, encontrávamos nova escadaria. Porque raio fazem estes mosteiros sempre no topo dos montes, pensei eu!

Finalmente chegamos ao mosteiro e fomos recebidos por uma simpáticas monges femininas, que ficaram super felizes por ver a quantidade absurda de sacos que levamos como oferta. Convidaram-nos a entrar no templo, onde ficamos à espera do resto do grupo que entretanto tinha ido visitar um outro mosteiro. Ficaram admiradas com o nosso aspecto, nomeadamente a cor do cabelo das minha colegas e novamente os pêlos dos meus braços. Até fizeram um comentário tipo “deve dar jeito para se manter quente no inverno”, traduzido pelo Tashi claro. Agradecidas, partilharam connosco as maças que lhes oferecemos numa gesto bonito.

A ideia de levar um donativo a este mosteiro resulta do facto de ser um mosteiro que não tem qualquer apoio governamental. Por opção vivem à custa de donativos o que deve tornar a vida muito mais difícil, mas pelo menos são independentes. Uma visita como a nossa é recebida com muito entusiasmo.

Reunido o grupo, voltamos para a cidade e pelo caminho passamos pelas ruínas de um mosteiro destruído pelos chineses durante a revolução. Após o jantar recolhemos aos nossos quartos. O dia seguinte seria duro, mas com uma grande recompensa…

Exibindo as ofertas
Sakya
As ruínas…

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